14 março, 2012

Fim do Verão




Fim do Verão

...Estranhamente...
Lágrimas surgiam sem pensar
E as palavras sumiam
Como  suspiros no ar
De forma lenta
Eu via o tempo passar
E a vida ia acabando
Desmoronando em cada respirar
As vozes  ainda  chamam
Para um lugar de alento
Meu coração é desespero
Meu medo, meu conselheiro
E findando as horas tardias
Eu ouço o ronronar do meu coração
É silêncio, é melancolia
É  falta, é solidão.
Tudo encerra
Tudo apaga
Fica o corpo, a casca e a morada
Fica o vazio, a triste palavra
Que o vento silencia
E fica aqui, a vida perdida.
Fica aqui minha singela emoção
São lembranças esquecidas
São lágrimas de profunda melancolia
É somente o findar de uma vida.
É somente, o fim do verão...



“Para infância perdida em bolhas de sabão”

Luciene – Luna
2011


17 fevereiro, 2012

Dia mundial dos Gatos!


Do Bigode ao Rabo






Subo num pulo, modesto, ligeiro e astuto
Desenho no ar, mil sonhos devaneios 
Eu sou matuto, sou danado, 
Sou arteiro, sou um gato
Vivo no mundo, no quarto, 
No cafofo do teu lado
As vezes na rua, não por que quero, 
Mas porque me largaram
E assim vivendo espero um dia, 
Encontrar  um colo pro meu ronronado

Eu sou gato, não sou pato
Não sou bobo tão pouco endiabrado
Sou só gato, unha, pelo e rabo
De focinho pequeno, preto ou rosado
De olhar faceiro, de beijos e arranhados
Eu sou só um gato.

E mesmo que não entenda, 
Mesmo que você faça careta
Eu vou ficar assim, de papo pro ar na soleira
Sendo o que sou, sendo aquilo que nasci para ser
Eu sou gato, com ou sem coleira
Eu sou gato, na rua, na casa, no telhado
Mas eu queria mesmo era um bom agrado
Um cantinho quentinho, um cafuné, um beijinho
Ahn me diz? Quem é que não gosta de carinho?

Eu sou gato com orgulho, dos bigodes até o rabo
Seja curto, longo ou embaraçado
Eu sou o gato que precisa somente de um amigo
Se me aceitar vai ter pra sempre, pode apostar
Alguém que sempre estará ao seu lado
Só por favor não me obrigue!
Quando eu estiver cansado
Desinteressado ou largado
Eu vou quando eu quero, por que assim é o gato
Mas quando eu quero, eu sou um amor
Dou miados e “roms roms”
Deito em cima e faça manha
Só pra ter do seu afeto, 
Aquilo que mais me acanha

E para você que não entende
O que de fato é um gato
Precisa mesmo é ter um
Pois se tem algo que me Sanha
É gente besta que não acompanha
O passo ligeiro de um gato
Que da mesma forma que você me estranha
Tem gente que me ama

Pois humano que é humano de verdade
Sabe que gato é gato por vontade
E que gato só precisa de algo pequenino
De colo, carinho e abrigo
De amor e de mais beijinhos
E também comida, ora eu não sou de ferro!
Gato que é gato precisa só disso
Portanto me respeite, senão eu berro!
E quem me protege, quem me entende
Vem correndo me ajudar
E ai você pode ir lá pros tios se encucar
Pois mesmo que tudo seja errado nesse mundão
Tem gente que ainda vai lutar
Vai mudar essa situação
E tanto gato, cachorro, papagaio ou periquito
Vai ter direitos  por escrito
Eu sei disso porque eu sou um gato
E gato sempre sabe o caminho
Agora vamos parar de conversa
Me de cá logo um cheiro
Me aperte e me enrosque
Antes que eu suma ligeiro
E vá me “afunfar” no seu travesseiro.
Pois gato que é gato
Encerra assim
Deitado, preguiçoso, e festeiro.


“Para todos os gatos que já tive, meus amigos de todos os momentos, que me ensinaram muitas coisas na infancia solitária e acima de tudo me ensinaram a sorrir quando eu não tinha motivos nenhum.  Gatos são pequenos seres de luz, que entram, se enroscam e você e logo você está apaixonado. Só quem tem gato sabe, o quanto é abençoado.”

“Feliz é quem tem um gato, se vc tem um, abraçe o seu pois hoje é o dia mundial dos gatos J Dia 17 de Fevereiro - Abrace um gato, se não tem um, adote!

Luciene – Luna
2012

01 fevereiro, 2012

Na Luz das Estrelas


Música Tema desse conto:



Na Luz das Estrelas


“Sound the bugle now – play it just for me
As the seasons change – remember how I used to be…”

“Soe o clarim agora - Toque apenas para mim
Conforme as estações mudam - Lembre-se de como eu costumava ser...”


Era mais uma noite simples, dessas em que nada acontece.
As horas seguiam, em seus minutos e segundos desproporcionais aos pensamentos que não paravam de circundar a mente dela.
Ela, que menina em sua adolescência, espiava a vida.
As pessoas lá embaixo seguiam suas rotinas, em seus carros... Celas de ferro, onde se fecham por vontade própria e esquecem que seus corpos já são celas o suficiente para toda a vida.
Cada suspiro de sua alma, ela oferta as poucas estrelas expostas no firmamento, enevoadas com densas nuvens negras de tempestade e poluição. Assim como uma ave negra corta os céus, ela deseja estranhamente fazer o mesmo.


“Now I can't go on – I can't even start
I've got nothing left – just an empty heart”

“Agora eu não posso continuar - Nem mesmo começar
Não tenho nada restando - Apenas um coração vazio”


Sentada, com suas pernas balançando no espaço, o parapeito parece cada vez mais promissor e tentador a medida que os olhos castanhos focam as luzes da cidade lá embaixo...
Recostada em uma singela parede fria daquele edifício, ela toma o último gole da bebida amarga e sem valor, que faz com que seus lábios se contorçam em desaprovação... A Vida não poderia ser mais linda?


“I'm a soldier – wounded so I must give up the fight”

“Eu sou um soldado - Ferido, então eu devo desistir da luta”


Ela ri suavemente, como a brisa que brinca nos cabelos cacheados, e atira a garrafa num canto do “telhado” , admirando a beleza dos cacos explodindo em nuances de brilho claro que refletiam as luzes da cidade.
Seus olhos se apertam e ela volta a olhar para o abismo diante de seus pequenos pés. Um suspiro escapa por seus lábios e devagar ela abraça os joelhos e deita seu rosto contra eles, mordendo os lábios e deixando lágrimas claras escorrem pelo sorriso juvenil.
Havia tanto para ser dito... tanto para ser mostrado a ele...
O coração é uma armadilha traiçoeira que nos permite sentir coisas que um dia iremos desejar nunca ter sentindo e aquele era um dia que ela nunca queria ter que sentir.



“There's nothing more for me - lead me away...
Or leave me lying here”

“Não há nada mais para mim - Irei me afastar...
Ou deixe-me deitado aqui...”


Despedir-se nunca é fácil, não quando se é jovem, não quando a vida é roubada de modo tão simples e rápido como só uma bala perdida pode fazer.  Como é fácil o sangue escorrer do ferimento aberto,  como é fácil o corpo tombar fraco num chão de cimento duro e perder a noção do mundo a sua volta...
Não é fácil se despedir, quando se escuta os gritos,  quando as palavras se perdem no choro, no desespero...
De tentar commãos afoitas tentar conter o sangue que escorria.


“Then from on high – somewhere in the distance
There's a voice that calls – remember who you are
If you lose yourself – your courage soon will follow
So be strong tonight – remember who you are”

“Então de cima - em algum lugar distante
Há uma voz que chama - lembre-se de quem você é
Se perder a si mesmo - sua coragem logo o seguirá
Seja forte esta noite - lembre-se de quem você é”


Ele havia sorrido para ela, havia dito palavras que ela jamais esqueceria...
Havia o som de gritos ainda zunindo por todos os lados e os tiros... Havia o som de sirenes de polícia, bombeiros, ambulâncias...
Havia tanta coisa que ela queria esquecer, que ela queria falar, gritar, mas a mente, essa mente cruel e bandida que amava torturá-la continuava a lhe mostrar o sorriso dele, com as palavras dele...


“-Continue Vivendo”


Apesar daquelas palavras, o abismo urbano era tentador... As luzes de carros indo e vindo na avenida agitada também, assim como a luz das poucas estrelas que ofuscavam distantes, algumas já mortas mas que ainda para nós tolos humanos, chegam na forma de luz brilhante e acolhedora.
Estrelas que ele tanto apreciava, que falava tão entuasiasmado com ela todas as noites, ensinando-lhe constelações e tantas coisas mais.
Estrelas que continuavam mesmo após sua morte, brilhando no firmamento escuro, trazendo luz para noites como aquelas.
Trariam elas luz para o coração que pulsava violentamente por conta da dor da perda?


“Then from on high – somewhere in the distance
There's a voice that calls – remember who you are
If you lose yourself – your courage soon will follow
So be strong tonight – remember who you are”

“Então de cima - em algum lugar distante
Há uma voz que chama - lembre-se de quem você é
Se perder a si mesmo - sua coragem logo o seguirá
Seja forte esta noite - lembre-se de quem você é”


Raquel continuava olhando as estrelas, e notou que elas pareciam cintilar mais fortemente. Ela não sabia se era por conta das lágrimas em seus olhos que tinha tal impressão, mas ela sabia que a morte não lhe traria nada. De certa forma sentia isso na luz daquelas estrelas que continuavam luzindo, mesmo entre as densas nuvens da cidade grande.
Ela sabia que a vida talvez lhe traria alguma coisa, queria acreditar nisso. Queria acreditar que ele estava ali em cima, na luz daquelas estrelas.
Então esticou sua mão para cima, como se pudesse tocar uma das estrelas e desejou do fundo de seu coração, ser como as estrelas... Mortas , mas que ainda ofereciam seu brilho para os outros...
A jovem desceu do parapeito do edifício, calçando seus all stars roxo com estrelinhas pink, sentindo a brisa menina acariciando gentilmente sua pele. Ela sorriu triste e pisou firme de cabeça erguida seguindo em frente.


“Ya you're a soldier now – fighting in a battle
To be free once more...
Ya that's worth fighting for”

“Sim, você é um soldado agora - lutando em uma batalha
Para estar livre uma vez mais...
Sim , por isso vale a pena lutar...”


A vida era frágil, como ela presenciara alguns dias atrás, como no dia de hoje em que ela enterrou seu melhor amigo, seu amor, seu irmão, seu pilar.
A vida era muito frágil e ela sentia que era mais frágil ainda, e que estava despedaçada como os cacos de vidro no canto da partede.
Mas por mais raiva, dor que sentisse, o que havia acontecido não iria mudar... Como não iria mudar o sentimento que ela sentia por ele.
Ela agora entendia que a vida, mesmo sendo frágil, tinha que ser vivida...  A noite, as estrelas, e a brisa diziam isso a ela.
E a voz de Antônio parecia vir com a mesma brisa, que parecia até mesmo abraçá-la. Ouvia com a voz brincalhona de moleque que ele tinha.


“-Continue Vivendo”


A brisa sussurrava em sua mente...

Ela seguiu em frente, indo embora do telhado do edifico... Ela viveria...
Ela seria forte  e viveria por ela e por Antônio. E quando adulta faria pessoas conhecerem quem ele foi, pois ela sempre iria falar dele com carinho para os outros.
Raquel correria para o futuro, tão forte quanto o vento, mais radiante do que as estrelas, no céu nublado de São Paulo.


“Para a esperança que nunca morre, para a tristeza que nunca parte”


“Luciene Luna”
2010